Pesquisador polonês traz oportunidades de cooperação e desenvolvimento econômico ao Brasil

Seminário Brasil-Polônia reuniu lideranças empresariais e comunidade polonesa na ACP, em Curitiba

A Polônia trilhou nas últimas décadas um caminho de estabilidade e dinamismo econômico, consolidando-se como um dos motores da Europa. Recentemente, o país ultrapassou a marca de US$ 1 trilhão de Produto Interno Bruto (PIB), entrando para o grupo das 20 maiores economias do mundo e superando a Suíça. O modelo que levou a esse crescimento foi tema do seminário “Polônia, líder mundial em crescimento econômico, parceira do Brasil, a maior economia da América Latina”, realizado na Associação Comercial do Paraná (ACP), em Curitiba.

O encontro contou com a participação do professor Marcin Piątkowski, da Kozminski University, em Varsóvia, e especialista do Banco Mundial. Apresentado pelo empresário Henrique Domakoski, presidente do Conselho Político e de Desenvolvimento Econômico da ACP, o seminário reuniu lideranças empresariais, representantes de entidades econômicas, diplomatas e integrantes da comunidade polonesa de Curitiba e de outras cidades do Paraná e de Santa Catarina.

“Para o Brasil continuar a crescer e crescer mais rápido, pode adotar o modelo polonês, que é melhor do que outros por combinar bons índices de felicidade e qualidade de vida. O Brasil pode pegar emprestado a ideia polonesa de abertura, aprendizado e inclusão”, defendeu o pesquisador.

“O professor Marcin traz um importante fator, que são os bons índices de qualidade de vida da Polônia, porque não adianta só crescer”, afirmou o presidente do Movimento Pró-Paraná, Marcos Domakoski, descendente de poloneses que conheceu o país durante os anos de carestia do modelo soviético e posteriormente acompanhou seu processo de transformação econômica.

O embaixador da Polônia no Brasil, Andrzej Cieszkowski, destacou que o objetivo do encontro é estimular resultados concretos. “Esses seminários servem para trazer a informação básica de que a Polônia está aberta para a cooperação, pois as pessoas do Brasil não conhecem a Polônia e os empresários poloneses também não conhecem o Brasil. Por isso nós tentamos aproximar comunidades empresariais da Polônia e do Brasil para começarem a pensar sobre as iniciativas conjuntas”, afirmou.

Vice-presidente da ACP, Antoninho Caron defendeu o fortalecimento da parceria entre universidades e setor produtivo como caminho para alcançar um crescimento sustentável.

No momento de perguntas da plateia, o professor Marcin abordou a necessidade de uma meta comum a toda a sociedade, que, no caso do crescimento polonês, foi a entrada na União Europeia. “Não se pode replicar a experiência polonesa, mas pode-se criar âncoras de reforma com base no contexto brasileiro”, disse.

Questionado sobre a relação com a vizinha Ucrânia, Marcin afirmou que a Polônia não é afetada de forma negativa pela guerra e pelo imperialismo russo. “Estamos investindo 5% do PIB em forças armadas, mas isso não diminui nosso crescimento, que continua a receber investimentos, pois o país é identificado como local seguro. Muitos refugiados foram absorvidos em nossa força econômica, sendo que 80% dos refugiados hoje têm emprego formal na Polônia, enquanto na Alemanha somente um terço está empregado formalmente. Somos como uma esponja, precisamos de pessoas para serem integradas.”

Após comparar, por meio de um gráfico, o crescimento polonês e o brasileiro, Marcin se declarou otimista com o potencial do Brasil, que já foi um dos campeões mundiais de crescimento. “E como voltar a ser? Podemos intensificar o comércio bilateral, pois as exportações polonesas precisam agora ultrapassar a União Europeia. O Brasil tem recursos, expertise, e a Polônia poderia ser parceira, mas precisamos divulgar mais o caso polonês.”

Aspectos práticos da integração

O seminário também permitiu o debate de propostas práticas de integração entre os dois países, com o painel “Polônia e Brasil: experiências e desafios de desenvolvimento. Construindo uma economia competitiva em um mundo em transformação”.

José Pio Martins, professor convidado para introduzir a segunda parte do seminário, lembrou que o sofrimento imposto à Polônia durante a Segunda Guerra Mundial contribuiu para fortalecer o desejo de desenvolvimento do país. “A partir de 2004, o movimento de negócios do país é incentivador das empresas, e os poloneses criaram infraestrutura muito maior que a média europeia, além da preocupação com mão de obra qualificada”, apontou.

O combate à corrupção após a experiência soviética também foi destacado pelo professor como um fator relevante para a economia. Segundo ele, a redução da perda de recursos públicos contribui para diminuir custos e ampliar a eficiência da estrutura estatal. “A Polônia não teve medo de se expor ao mundo ao atrair capital estrangeiro, pois isso proporciona transferência de tecnologia.”

Em sua fala, a professora Anetta Kuna-Marszałek, especialista em comércio internacional e relações internacionais, mostrou como a transformação da economia baseada no carvão para setores como a indústria de máquinas, software e jogos eletrônicos foi possível graças a planejamento e à entrada na União Europeia em 2004.

Desde a abertura econômica, a fabricação de componentes automotivos para a indústria alemã tornou-se um dos principais ativos econômicos do país. Anetta lembrou que as parcerias entre países não acontecem de forma espontânea, mas exigem investimento institucional. “O Brasil está num estágio anterior da mesma trajetória”, sugeriu.

A professora Camila Fachin, vice-reitora da UFPR, abordou aspectos da cooperação acadêmica entre universidades brasileiras e polonesas. Já o presidente da Invest Paraná, Giancarlo Rocco, destacou as missões empresariais realizadas para a Silésia, região com forte base industrial, de mineração e indústria pesada, considerada parceira devido às similaridades com o Paraná.

Rodrigo Sluminsky, sócio do escritório Gaia Silva Gaede Advogados e especialista em mudanças climáticas e finanças sustentáveis, apresentou propostas para enfrentar a crise climática. “O setor privado é chamado para a escala e continuidade do crescimento sustentável”, pontuou. “As discussões multilaterais teóricas precisam ser levadas à prática. E precisamos dar escala às soluções”, afirmou, trazendo exemplos dos desafios climáticos enfrentados pelo Brasil e pela Polônia.

Fotos: Consulado da Polônia

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